Da boca do caixa aos agentes de IA:
o avanço da tecnologia no mercado financeiro

Notícias – 29/07/2025

Verificação de identidade para acesso à conta, confirmação de transações bancárias e até recomendação de investimentos de acordo com o perfil do cliente. No celular, no caixa eletrônico ou em atendimento presencial, essas são operações cotidianas robustecidas por ferramentas de inteligência artificial generativa para evitar golpes e aumentar a confiança no processo. Os primeiros passos da IA no mercado financeiro começaram há uma década, mas, segundo Rodrigo Mulinari, diretor-adjunto do Comitê de Inovação e Tecnologia da Febraban (Federação Brasileira de Bancos), a caminhada se acelerou nos últimos três anos:

— Estamos na vanguarda da IA no segmento bancário mundial. O brasileiro, que usa muito o celular, é propulsor dessa inovação — afirma ele.

Investimentos em alta

Só no ano passado, os bancos brasileiros destinaram R$ 42,3 bilhões de reais do orçamento para tecnologia, número que deve crescer 13% em 2025. Cerca de 30% desse montante vai para investimentos em inovação, e grande parte é dedicada à inteligência artificial. Alguns comandos bancários, como pedidos de transferência, já podem ser realizados através de mensagens e áudios enviados pelo Whatsapp graças ao avanço recente da IA.

— Uma das formas de inteligência artificial presentes é o chat, em que o cliente pode entrar e conversar a qualquer momento. Com ele, é possível otimizar a carteira (de aplicações) e ter sugestão de investimentos mais afins com o perfil. Mas lançamos recentemente produtos para empreendedores, para gestão do dia a dia do fluxo de caixa, de pagamentos e recebimentos — lembra Carlos Eduardo Mazzei, diretor de tecnologia do Itaú, banco que conta com um time direto de 400 cientistas de dados dedicados a novos produtos.

A função dos agentes

A IA também interfere na forma de confecção dos produtos bancários antes mesmo de sua chegada ao mercado. Rafael Cavalcanti, diretor de inteligência de dados do Bradesco, observa que a adoção dos chamados agentes, capazes de entender e melhorar o que se quer de um produto, agiliza o trabalho.

— Eles conseguem algo estratégico para o desenvolvimento do software. Há ferramentas que aceleram a produção de códigos, criam cenários e ajudam a criar aqueles não pensados para testes. Há um ganho de 30% em produtividade e redução de 35% no tempo para entrega de produtos — afirma Cavalcanti.

Para Sérgio Biagini, sócio-líder do setor de serviços financeiros da Deloitte, os agentes vão redefinir o que hoje entendemos por aplicativos bancários:

— Olhando para o futuro, daqui a cinco anos ou mais, nos aplicativos que conhecemos, onde você entra no app e tem uma série de menus, você passará a interagir diretamente com uma IA. Ela vai fazer o atendimento por texto ou voz, e você vai interagir.

 

Fonte: Portal O Globo

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