Poder dos dados vai além da tecnologia

No mundo digital, não é novidade que os dados se tornaram o bem mais precioso de qualquer empresa. Mas segundo especialistas que participaram de painel no CIAB FEBRABAN 2021 nesta sexta-feira (25), é preciso sensibilidade e habilidade para detectar os que, de fato, agregam valor ao negócio. Assim, poderão transformá-los em informações valiosas, servindo de base para estratégias que surpreendam o mercado.

André Duarte, diretor dos departamentos de Gestão de Dados e CRM do Bradesco, alertou que diante da avalanche de dados, o erro é querer armazenar tudo e usar tudo. A melhor forma é selecionar dados que agreguem valor ao negócio, ao cliente e à sociedade. É uma questão de mudança de mentalidade, ele disse.

“É preciso adotar modelo de trabalho ágil, design thinking, que são importantes para potencializar essa busca por dados de valor agregado. O cientista de dados é peça chave nesse processo, está todo o tempo envolvido nessa busca.”

Na avaliação de Rafael Leite Gregório, gerente-geral da Unidade de Inteligência Analítica do Banco do Brasil, o dado que tem mais valor é o que particulariza a experiência do cliente (CX, Customer Experience). E o valor, segundo ele, está em capturar a essência, as características do consumidor, o momento em que ele está interagindo com a marca. 

“Por isso, tomar decisões baseadas em dados é apenas a ponta do iceberg, há muito por trás. Quando o dado é particularizado, eu o levo para ideação, construção de modelos e de propostas de valor no curto prazo a clientes internos e externos”, revelou.

“São trilhões de gigas gerados em dados a todo instante e bilhões de pessoas se utilizando deles. Precisamos de tecnologia para armazená-los e selecioná-los o tempo todo. E sempre pensando: o que o cliente gostaria? O primeiro passo, e muito importante, é estar alinhado às exigências da Lei Geral de Proteção de dados (LGPD) para seguir compliance na estratégia”, afirmou Alessandra Montini, diretora do LabData da FIA – Laboratório de Análise de Dados. 

De acordo com Alessandra, a quantidade de dados para fazer esse trabalho não é o problema. A dificuldade é: como serei mais rápido do que o meu concorrente para selecionar os dados e transformá-los em estratégias? “Nossa missão como cientista de dados é bater metas todos os dias e inovar. É um desafio ninja a cada dia”, relatou. 

“CIENTISTA DE DADOS NÃO É MAIS UMA FIGURA NERD”

O mercado de tecnologia está com alto déficit de mão de obra. O cientista de dados, peça importante na avaliação dos participantes do painel engrossa a lista de profissionais cobiçados para preencher vagas em aberto que não param de crescer.

Duarte, do Bradesco, observou que está cada vez mais complicado achar um cientista de dados hoje que realmente esteja apto a assumir o cargo na amplitude que o negócio exige. Segundo ele, esse profissional não é mais a figura de nerd, como tradicionalmente lhe era cunhada. 

“Hoje, ele precisa agregar valor. É importante selecioná-lo corretamente, e é vital que o seu perfil se encaixe à cultura da empresa. Não basta atrair, treinar e potencializar esses profissionais. Precisamos orientá-los a uma entrega de valor. E fazer com que se sintam pertencentes à evolução da empresa”, ensinou.

Fonte: Noomis Febraban