O que esperar da inovação bancária em 2022?

Se há dez anos alguém te dissesse que seria possível ter uma conta em um banco sem nenhuma agência física, você acreditaria? Confiaria seu dinheiro a este banco? A resposta provavelmente seria não. No entanto, o caminho dos bancos digitais já estava sendo trilhado neste período. 

No Brasil, essas instituições só foram surgir em 2016, após a regulamentação do Conselho Monetário Nacional. A proposta parecia um pouco ousada com 100% dos serviços online, da abertura da conta bancária ao esclarecimento de dúvidas, mas deu certo. Atualmente, a maioria das necessidades já é resolvida por meio do computador ou aplicativo, transformando as funções dos profissionais como gerentes ou caixas.

Os bancos digitais trouxeram mais que comodidade e redução de burocracia para diversos serviços. Querem também reduzir o valor de tarifas, resolver questões de conflitos de interesses e trazer mais transparência aos processos. 

E apesar do receio inicial das pessoas, os bancos virtuais se mostraram bastante seguros e conquistaram a aderência de 42% dos brasileiros, segundo dados deste ano do Instituto Locomotiva. A aceitação é ainda maior entre os jovens de 18 a 29 anos, em que 17% deles têm contas apenas neste formato, uma vez que são mais abertos a inovação e familiarizados com a tecnologia.

Por conta da pandemia do novo coronavírus, a necessidade do distanciamento social fez com que muitos processos de digitalização fossem acelerados, assim como a adaptação de correntistas que não estavam habituados a resolver pendências do dia a dia com alguns cliques ou toques no celular. Desta forma, até mesmo aqueles que tinham suas dúvidas sobre a confiabilidade e segurança dos serviços digitais foram obrigados a utilizá-los e entenderam que é um caminho sem volta – e muito positivo.

Novidades no setor

As novidades neste setor são bastante recentes no país. Em 1968, houve o lançamento do primeiro cartão de crédito e somente em 1983 é que apareceu o primeiro caixa eletrônico. O boleto bancário surgiu no início dos anos 90 enquanto a Transferência Eletrônica Disponível (TED) só deu as caras por aqui no princípio dos anos 2000.

Porém, a maior inovação do momento é o famoso Pix. Alvo de inúmeras desconfianças, este método de transferência bancária foi aprovado pelo Banco Central e implementado em novembro de 2020. Ele permite que aconteçam pagamentos instantâneos –até mesmo durante os fins de semana–  para pessoas físicas e jurídicas sem a cobrança de nenhuma taxa, no caso das pessoas físicas. Já era hora!

Por outro lado, até meados de novembro deste ano, não era possível cancelar a transação ou fazer o estorno de valores que tenham sido enviados erroneamente. Isso parece estar em vias de acontecer. O Banco Central está realizando uma padronização de regras e procedimentos para viabilizar a devolução de valores por meio das instituições de quem recebeu a transferência. Casos de pagamento em duplicidade ou até mesmo fraudes poderão ser evitados, e os clientes ressarcidos.

Além disso, já foram anunciadas as novidades de saque, em que será possível retirar dinheiro em qualquer ponto que ofertar o serviço. E troco, que permitirá que um Pix pague a conta e o troco seja feito em espécie. Essas transações constarão no extrato bancário –até mesmo o valor devolvido.

O método também disponibilizará a opção de pagamento por aproximação, que se tornou ainda mais popular com os cartões de crédito durante a pandemia. A ideia é que, com o próprio smartphone, seja possível fazer a leitura magnética de dados ou de um código QR para iniciar o processo de pagamento. 

O que esperar para 2022?

Como já disse, a digitalização dos bancos e de seus serviços é um caminho sem volta. Porém, ainda está longe de ter uma aderência satisfatória, uma vez que mais de 34 milhões de brasileiros são desbancarizados.

Ainda assim, o cenário é promissor. Para ganhar –ou não perder– clientes, as instituições financeiras estão focando cada vez mais em experiência dos usuários e na personalização do atendimento. Com isso, vão otimizar a liberação de empréstimos, a oferta de pacotes de investimentos e até mesmo a consultoria para gestão financeira. 

Se em dois anos de pandemia tivemos uma evolução bastante positiva com relação às inovações e desenvolvimento tecnológico do setor, não se pode esperar menos para o próximo ano. Cabe aos bancos –sejam eles digitais ou digitalizados– entender as necessidades dos seus clientes e buscar soluções que os atendam, antes que fiquem pra trás, apegados a antigos processos e taxas.

Fonte: Febraban | Alessandra Montini -  diretora do LabData da FIA – Laboratório de Análise de Dados, além de membro do Conselho Curador da FIA.