Inovação no mercado financeiro estimulam outros setores

Dois meses depois de entrar em operação, o sistema de pagamento instantâneo brasileiro, o Pix, já havia alcançado R$ 203 bilhões movimentados, em 237 milhões de operações, realizadas por 25% dos brasileiros. Ao todo, 56 milhões de usuários registraram quase 147 milhões de chaves. “O brasileiro adota rápido tecnologias que facilitam a vida dele”, comentou Marcelo Leite, diretor de vendas estratégicas São Paulo/Sul da Oi Soluções.

Tradicionalmente, o sistema bancário do Brasil desenvolve tecnologias com grande agilidade. E os consumidores as aceitam com naturalidade. Mas o fenômeno que está acontecendo agora é ainda mais amplo: na medida em que os bancos adotam a transformação digital, implementando novidades como o Pix e, num futuro próximo, o open banking, essas mudanças passam a atingir outros setores da economia.

“O entregador de gás foi à minha casa, como sempre faz. Eu ofereci o meu cartão para pagar e ele pediu para receber em Pix, porque é mais rápido e não paga taxa”, contou Carlos Eduardo Brandt, chefe adjunto do Departamento de Competição e de Estrutura do Mercado Financeiro do Banco Central (Decem) e um dos criadores do Pix falando da sua satisfação com a atitude do comerciante.

“Cada smartphone é potencialmente uma agência bancária. E a inovação leva a tecnologia para muito mais pessoas. Quando, em conjunto com o Banco Central, começamos a abrir contas através do celular, comemorávamos abrir mil contas em um mês. Agora são 30 mil por dia”, afirmou Ray Chalub, COO do Banco Inter. “Podemos ir além, muito além, da experiência individual do cliente”, disse Victor Queiroz, COO do Next.

O diálogo entre Marcelo Leite, Carlos Eduardo Brandt, Ray Chalub e Victor Queiroz aconteceu durante a live Soluções em debate, a primeira da  temporada 2021 conduzida pela Oi Soluções em parceria com a Época Negócios. Juntos, eles apresentaram cases de transformações digitais nos bancos, nos sistemas de pagamentos eletrônicos e fintechs, além de debater os impactos dessas recentes inovações em diversos setores da economia. A mediação ficou por conta de Vinícios Dônola, jornalista, escritor e documentarista.

Atenção ao consumidor

Para Brandt, o sucesso da revolução iniciada pelo Pix, e que também vai passar pelo open banking, se explica por ser um ecossistema de pagamentos aberto, que pode ser adotado por empresas e prestadores de serviços de diferentes portes e áreas de atuação: “A transformação digital no sistema financeiro acaba trazendo coisas boas para outras empresas”.

Ele também anunciou que o Banco Central prevê integrar novos produtos ao serviço, com o objetivo de que o sistema se torne universal, e que inclua a possibilidade de fazer saque com o Pix e de realizar pagamentos sem conectividade, com QR duplo off-line.

Chalub lembrou que o Banco Inter já tinha criado, em 2017, um serviço semelhante ao Pix exclusivo para os clientes do banco. E que agora aderiu ao sistema do Banco Central com euforia. “O cliente busca tudo o que seja rápido. Quando isso ocorre de maneira automática, com poucos cliques, utilizando biometria facial, geolocalização e ferramentas de segurança, a experiência fica muito simples e segura. E não precisa ser burocrática, muito pelo contrário”.

Fonte: Época Negócios