Entrega de valor ao cliente envolve perspectivas múltiplas

Times com funções complementares otimizam estratégias e resultados

Já ouviu falar em perspectiva? Você pode olhar os objetos, por exemplo, por ângulos diferentes -por baixo, por um dos lados, por cima ou até mesmo olhar por mais de um ângulo ao mesmo tempo. O interessante é que a forma desses objetos vai mudar dependendo de qual seja o seu olhar.

Quando mudamos a nossa perspectiva, as coisas podem parecer até mesmo fora da realidade, mas quanto mais você desapega do que sabe sobre o objeto, mais consegue entender como ele realmente funciona e como ele se conecta com o todo. 

Entender melhor o que está acontecendo, ter visão sistêmica e fazer o diagnóstico completo para agir onde é necessário pode garantir bons resultados. Então, como desenvolver um olhar multiperspectivas?

Um outro olhar para a Inteligência Artificial

Podemos começar falando de inteligência artificial (IA), ela vem crescendo, evoluindo e mostrando seu potencial em várias áreas. Mas vamos olhar por um ângulo voltado à saúde, será que ela pode te ajudar a ter uma vida mais saudável? 

Existem várias áreas da psicologia que se esforçam em decifrar o nosso código comportamental. A criptografia deste código às vezes parece impossível de ser decifrada, mas não vamos desistir. Mesmo com as dificuldades, essas pesquisas têm surtido bons resultados e nos ajudado a avançar em entender melhor nossas emoções e comportamentos por meio de modelos de IA. 

Bem, nesse momento, em que o contato físico é limitado, melhorar nosso autoconhecimento pode nos preparar melhor para os desafios futuros. Alguns chatbots e apps já foram desenvolvidos para ajudar pessoas a lidar com estresse, ansiedade, depressão e até mesmo com doenças como o autismo. Mas o que está envolvido nisso?

Podemos ir além do que apenas pensar em um modelo de IA

Para começar, precisamos de tecnologia que seja capaz de extrair dados. Por exemplo, a universidade Johannes Kepler de Linz tornou possível que um vestido mudasse de cor de acordo com o seu estado de humor.

Mas como extrair dados da sua mente? O vestido do design Anouk Wipprecht vem acompanhado de um boné que tem uma interface com minúsculos sensores de eletroencefalografia (EGG). Esses sensores extraem dados a partir das variações dos sinais elétricos que seu cérebro emite e é a partir desses dados que a IA trabalha, traduzindo-os e transformando-os em informação. Essa informação gerada possibilita dar o comando para que a cor do vestido mude.

Talvez você não queira usar uma roupa que diga o que você está sentido e prefira guardar isso pra você, mas podemos imaginar o quanto extrair dados como os sinais elétricos pode ser importante em outras áreas. Por exemplo, para avisar quando alguém está próximo de ter um acidente vascular cerebral (AVC), de modo a salvar a vida dessa pessoa. 

No entanto, apesar de ser útil em situações como esta, será que elas são viáveis? Afinal, ninguém quer andar com um monte de eletrodos na cabeça. Será que podemos encontrar novas formas de medir esses dados? Existem outros dados que podem ajudar de forma mais efetiva? E quanto à dilatação da pupila, à resposta galvânica da pele ou à altura e frequência da voz?

Precisamos avançar em pesquisas que foquem em tecnologias capazes de extrair dados importantes que possam ajudar o trabalho da nossa IA. Mas não paramos por aí! Depois de extrair dados e interpretá-los, ainda temos que ser capazes de apresentar a solução da forma mais legível e efetiva possível, para que nosso usuário possa entender o que está acontecendo.

Uma boa interface precisa reagir de forma natural e individual, levando em conta milhares de fatores como o humor, gostos, objetivos e todo o contexto em que estamos inseridos. Imagine um computador de bordo que pode prever onde você vai antes de você falar, sugerir paradas específicas ou até mesmo prever, a partir de alguns sinais, que um acidente irá acontecer. Isso parece algo bem útil, não é?

Mas não podemos esquecer um detalhe: para evitar o acidente, não basta que a pessoa saiba o que vai acontecer, ela precisa entender aquilo para que se sinta motivada a agir da forma correta. A interface precisa tocar o coração do usuário. 

Uma interface que possa conectar um sistema físico ao cérebro de forma mais natural possível é o objetivo de uma pesquisa do Instituto Real de Tecnologia de Melbourne, Austrália. Eles desenvolveram recentemente um tecido artificial que pode reagir à dor, pressão e temperatura, bem próximo ao da nossa própria pele. Os sensores implantados podem discernir a diferença entre pequenas ou grandes intensidades de toque, processar essa informação e mandar sinais para que nosso cérebro identifique a sensação e reaja a ela. Esse avanço pode ser muito importante para pessoas que perderam alguma parte do corpo.

Algo mais? Sim, Segurança

Precisamos ter as tecnologias certas para extrair dados, para interpretá-los e para reagir a eles, mas será que é só isso? Não, ainda precisamos pensar em segurança. Para que o processo não pare, ao mesmo tempo que esses dados precisam estar seguros, eles têm que estar disponíveis quase que instantaneamente quando for necessário. Como garantir que esses dados estarão guardados em um lugar seguro e que o acesso a eles seja feito apenas quando necessário?

No analytics, temos algumas tendências preocupadas com a lisura no processo de manipulação de dados, como as tecnologias de aprimoramento da privacidade (PETs – Privacy-enhancing Technologies), que tem por objetivo mascarar os dados das pessoas visando preservar suas privacidades.

Mas pensando em todo um sistema de gestão de segurança, baseado no nosso mundo cibernético, o qual muda constantemente, já se começa a trabalhar em uma abordagem de segurança autoadaptativa, que possa proteger os dados e ao mesmo tempo agir em tempo real frente às novas ameaças, usando também modelos preditivos.

Então, podemos ver que a entrega de valor ao cliente envolve várias áreas e processos, os avanços de cada parte influenciam na forma como você vê o todo. Sendo assim, você não pode ficar tão focado no seu produto a ponto de não considerar o cenário que ele está envolvido. Você também não pode querer entender tudo e acabar perdendo o foco, paralisado.

Você precisa de perspectivas diferentes, visões complementares. Talvez um time para se concentrar no seu curto prazo, no que está acontecendo, dentro de uma ou mais perspectivas do processo, e outro para pensar mais longe em como essas visões vão se encaixar no futuro. Mas é claro que eles precisam trabalhar juntos, os dois estão no mesmo barco e vão manter a essência da empresa, só vão olhar por ângulos diferentes. Quanto mais próximo eles estiverem, melhores serão os resultados.

A forma como você interpreta a realidade pode dizer muito sobre como será seu futuro, de que forma o seu negócio vai se conectar com todo o ecossistema. Então, qual será sua perspectiva?

Artigo escrito por: Gustavo Fosse – Diretor de TI do Banco do Brasil | Fonte: febraban.org.br