Empresas digitais valeram (e lucraram) mais durante pandemia

Dois estudos recentes do Boston Consulting Group (BCG) obtidos com exclusividade pelo CIO Brasil constatam que empresas que apostaram na transformação digital foram as que mais se valorizaram e lucraram desde o começo da pandemia, decretada globalmente pela OMS em março de 2020. E a máxima se aplica tanto a empresas brasileiras como globais.

O primeiro estudo avaliou o nível de maturidade digital de 2.296 empresas dos Estados Unidos, Europa e Ásia entre 2017 e 2020 em dez setores. Constatou que a maturidade de uma empresa é fator essencial para que ela supere uma crise e tenha melhores resultados financeiros.

Seis meses após o início da pandemia, organizações mais maduras digitalmente (ou “biônicas”, como classifica a consultoria) estavam 23% em média mais valorizadas do que antes da crise. E 40% aumentaram receitas em mais de 10%, enquanto apenas 19% das menos maduras conseguiram o mesmo resultado.

No mesmo período, 33% das “biônicas” valorizaram mais de 10%, contra apenas 15% das atrasadas digitalmente. O retorno de investimentos (ROI) também variou entre elas. Duas em cada três “biônicas” conquistaram taxas de ROI superiores a 10% em projetos, contra 36% das atrasadas digitalmente.

Durante a pandemia, os setores que mais se digitalizaram foram varejo e consumo, e saúde. O estudo indica que quatro fatores fazem com que as empresas “biônicas” se destaquem: investem mais em tecnologia, dados e capacidades humanas; colocam a Inteligência Artificial (IA) no centro da transformação digital; estabelecem governança para iniciativas digitais e adotam plataformas para operar; e conectam tecnologias às capacidades humanas dos profissionais.

Cenário brasileiro

O segundo estudo do BCG, que avaliou o nível de maturidade digital das empresas brasileiras, obteve conclusões semelhantes. Durante a pandemia, organizações “biônicas” tiveram queda menos intensa e brusca em valor de mercado e se recuperaram mais rapidamente dos efeitos da pandemia.

A diferença de EBITDA entre biônicas e atrasadas digitalmente foi de 18% no Brasil, contra 3,2% globalmente, e a valorização das primeiras foi 3,9% maior no mesmo comparativo, contra 5,2% no mundo. Já a queda de valor durante a pandemia foi de 30% em média, contra 40% das atrasadas digitalmente.

Em junho de 2020, as biônicas já haviam recuperado o valor de mercado de 2019, enquanto as atrasadas ainda estavam 12% abaixo no mesmo comparativo.

Fonte: CIO