Brasil ganha 53 posições em ranking global de cibersegurança

O Brasil saltou da 71ª para a 18ª posição no Índice Global de Segurança Cibernética 2020, ranking realizado pela União Internacional de Telecomunicações (UIT), agência da Organização das Nações Unidas (ONU) especializada em tecnologia da informação e comunicação. 

O índice mede as ações das nações para enfrentar riscos cibernéticos, e a pontuação, de 0 a 100, é obtida a partir de avaliação de cinco aspectos: jurídicos, técnicos, cooperativos, organizacionais e de capacitação. O foco é aumentar a conscientização sobre os compromissos dos países em relação à cibersegurança, identificar os pontos fortes e as áreas onde são necessárias melhorias, além de compartilhar práticas de segurança.

A agência da ONU alerta que o mundo pode perder, neste ano, até US$ 6 trilhões na área de proteção de dados pessoais e financeiros em razão de crimes online, por isso a importância de intensificar as estratégias de cibersegurança.

Doreen Bogdan-Martin, diretora da UIT, disse, na introdução do relatório, que o índice revela que a segurança cibernética é realmente uma questão de desenvolvimento, e que há uma necessidade urgente de abordar a crescente lacuna da capacidade cibernética entre países desenvolvidos e países em desenvolvimento, promovendo o conhecimento, aprimorando as habilidades e desenvolvendo competências. “Para fechar essa lacuna, precisamos atuar nas raízes e construir capacidade em termos de infraestrutura digital, habilidades digitais e recursos no mundo em desenvolvimento. Espero que o Índice Global de Cibersegurança continue a ser uma ferramenta útil de desenvolvimento de capacidade para governos, formuladores de políticas, especialistas em segurança cibernética e acadêmicos na identificação de áreas para melhoria e destaque das melhores práticas para fortalecer a segurança cibernética nacional.”

Brasil destaca medidas

Na América o Brasil está na 3ª colocação do ranking, atrás dos EUA (1º colocado) e do Canadá (8º), entre os 193 países pesquisados ao todo. O secretário especial de Desburocratização, Gestão e Governo Digital do Ministério da Economia, Caio Mario Paes de Andrade, destaca, em nota, que “a posição conquistada pelo país demonstra o compromisso crescente do governo para enfrentar e reduzir as ameaças à segurança cibernética, mesmo diante dos desafios enfrentados com a pandemia da covid-19, que exigiram a rápida adaptação das atividades cotidianas e dos serviços socioeconômicos para a esfera digital”.

“O avanço da transformação digital deve vir acompanhado da proteção aos usuários, e nós temos assegurado essa proteção”, afirmou.

O Ministério da Economia informa que a plataforma digital do governo federal, o gov.br, conta com 107 milhões de usuários –cerca de metade da população brasileira– e com o duplo fator de segurança para acesso aos 3.000 serviços digitais disponíveis ao cidadão.

A pasta destaca alguns avanços do país em direção a uma segurança cibernética mais forte. Entre elas estão a criação da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), em vigor desde setembro do ano passado e que a partir de agosto deste ano vai começar a aplicar multas por meio de fiscalização da Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD); o decreto nº 9.573, que aprova a Política Nacional de Segurança de Infraestruturas Críticas; o decreto nº 9.637, o qual institui a Política Nacional de Segurança da Informação; bem como o lançamento da Estratégia Nacional de Segurança Cibernética (E-Ciber).

Por outro lado, o poder público, assim como praticamente todos os setores da economia, tem sofrido com crescentes ataques hackers, dos mais variados tipos. Segundo estudo da empresa de tecnologia para segurança digital Trend Micro, o setor público é o principal alvo dos cibercriminosos e respondeu por 35,3% das ameaças bloqueadas no ano passado no Brasil, índice três vezes maior do que o segundo colocado, o segmento de manufatura, com 9,7%.

Algumas dessas ameaças não são interceptadas pelas tecnologias de defesa. O Supremo Tribunal de Justiça (STJ), por exemplo, ficou inoperante em novembro de 2020 após um ataque de ransomware, o vírus que “sequestra” os dados da máquina, criptografa o conteúdo e cobra um valor para o “resgate”. Outro caso recente foi a tentativa de invasão aos sistemas do Supremo Tribunal Federal (STF) em maio, que obrigou o órgão a derrubar seu próprio site para evitar o ataque.

Fonte: Noomis Febraban