Com avanço das fintechs, bancos tradicionais aceleram digitalização e diversificam serviços

Grandes instituições financeiras estão adquirindo plataformas de investimentos e investindo cada vez mais em tecnologia para ampliar número de correntistas diante da concorrência do mercado digital.

Os bancos digitais estão crescendo em ritmo acelerado. Mas as instituições tradicionais não ficam na plateia: estão adquirindo plataformas de investimentos e investindo cada vez mais em tecnologia para diversificar serviços e ampliar a segurança de dados. Tudo isso sem poder deixar de lado a presença física.

Apesar da concorrência, os “bancões” ainda têm a favor deles a liderança em número de clientes. No primeiro trimestre, a base de Caixa era de 145,3 milhões, seguido por Bradesco (98,6 milhões), Itaú (82,9 milhões), Banco do Brasil (68,8 milhões) e Santander (51,3 milhões), apontou o Banco Central.

De acordo com pesquisa da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), os bancos (incluindo digitais) investiram R$ 8,9 bilhões em tecnologia em 2020 — um aumento de 7% (R$ 8,3 bilhões), em relação a 2019, quando não havia pandemia no Brasil. Em 2016, esse montante era de apenas R$ 5,3 bilhões, o que mostra uma evolução de 67% em quatro anos.

“Com a popularização dos serviços financeiros pelos canais digitais, continuamos avançando no terreno importante da inclusão financeira no Brasil, especialmente com o mobile banking, que permite carregar o banco em seu bolso. Praticamente, todas as operações bancárias podem ser feitas de forma eletrônica”, afirmou Rodrigo Mulinari, diretor setorial de tecnologia e automação bancária da entidade.

O levantamento mostrou também que as transações realizadas pelo celular registraram avanço de 64% em 2020, impulsionadas pela pandemia e pelo Auxílio Emergencial. As operações financeiras que mais cresceram no ano passado foram investimentos (+63%), transferências/DOC/TED (+60%), pagamentos de contas (+51%) e crédito (+44%).

De acordo com Geraldo Rodrigues Neto, diretor de negócios digitais do Santander, 100% dos processos para pessoas físicas podem ser realizados digitalmente, exceto saque de dinheiro.

Para a abertura de conta, por exemplo, o banco exige informações e imagens digitalizadas dos documentos. Cerca de 500 mil contas são abertas por mês, sendo que metade são digitais. “Deixamos de pedir documentos para quase 90% dos clientes. Em quatro meses, multiplicamos por quatro a quantidade de contas abertas”, afirmou o diretor.

Portal G1

Dentro do processo de digitalização e aceleração da conexão com a plataforma open banking, o Santander anunciou em junho aquisição de duas startups: Mobills, aplicativo de gerenciamento financeiro, e a Monetus, gestora de investimento digital.

Segundo Rodrigues Neto, o banco agora pretende digitalizar os processos para pessoas jurídicas, que costuma ser mais burocrático, uma vez que envolve sociedade.

“Essa é a beleza de ter uma plataforma universal. A gente brinca que o Brasil é maior do que a Faria Lima. O grande ponto é conversar com os consumidores. Não há um único consumidor”, comparou.

Com efeito do investimento em tecnologia, o Santander fechou 3.564 agências físicas e pontos de atendimento em 2020.

Importância das agências físicas

Com a proposta de ser ‘”figital” (de físico e digital), o Itaú Unibanco também está investindo para avançar no meio digital, com a promessa de ainda manter as raízes nos meios físicos.

De acordo com Renato Lulia, diretor de relações com investidores, o banco hoje se relaciona com 60 milhões de clientes em todos os canais disponíveis atualmente, como internet, agências e telefone. Apesar da campanha, nos últimos cinco anos, o banco fechou cerca de 25% das agências no país.

“A proximidade com nossos clientes tem mais a ver com disponibilidade do que especificamente presença física. Nós disponibilizamos cada vez mais recursos para o autosserviço pela via digital, assim os clientes só vão para as agências se quiserem ir e não para solucionar problemas”, garantiu o executivo.

E para não ficar na retaguarda das fintechs, o Itaú dobrou o investimento em tecnologia de 2018 a 2021 — os números brutos não foram divulgados pelo banco. Com isso, Lulia afirma ter sido possível reduzir custos com infraestrutura em 28% e dobrar a produtividade da equipe.

Em 2019, por exemplo, o banco lançou o Iti como uma carteira digital e expandiu o serviço para uma operação bancária virtual e gratuita para jovens e desbancarizados. A plataforma hoje conta com 6 milhões de clientes e a expectativa é que chegue a 15 milhões até o fim do ano.

Com foco na ampliação de clientes, o Itaú também está apostando na diversificação de cartões atrelados a benefícios e em parceria com diversos varejistas, como Magazine Luiza e Pão de Açúcar. Atualmente, o banco possui mais de 70 milhões de cartões em uso por cerca de 46 milhões de clientes.

Investimentos mais atrativos

No início deste mês, o Next, banco digital do Bradesco, lançou um CDB (Certificado de Depósito Bancário) com remuneração equivalente a 200% do CDI nos primeiros 30 dias da aplicação — nível de remuneração que havia sido oferecido antes apenas por bancos digitais.

Para funcionar como um verdadeiro banco digital, o Next acelerou sua curva de crescimento para chegar a 7 milhões de clientes até o fim deste ano.

No fim do primeiro trimestre, a instituição alcançou 4,4 milhões de clientes, com mais de 267 milhões de transações realizadas, volume 244% superior em relação ao mesmo período do ano anterior.

Ações estratégicas, como a migração para o sistema em nuvens, parcerias com o mercado de gamers e esportes, novas funcionalidades nos meios de pagamento e a integração com a corretora do Bradesco, Ágora, foram importantes para os resultados do Next.

O banco informou também que houve crescimento de 3,6 milhões de usuário no atendimento digital e de 75% nas transações financeiras pelo celular na comparação de março de 2020 com igual período deste ano. As transações em caixa, por outro lado, recuaram 83%.

Fonte: G1