O que realmente importa na hora de atrair e reter talentos millenials e da Geração Z?

Novo relatório da Deloitte mostra que os Millennials, aqueles que compõem a chamada Geração Y (nascidos entre a década de 1980 e 1990) e a Geração Z (nascidos a partir dos anos 1990) estão preocupados com as incertezas provocadas pela pandemia, sobretudo no que diz respeito à saúde e ao emprego. Ainda assim, são eles os mais comprometidos com questões sociais e ambientais, estando mais propensos a denunciar racismo e sexismo e evitar empresas e empregadores cujas ações entrem em conflito com seus valores pessoais, de acordo com a pesquisa Global 2021 Millennial e Gen Z.

“No início de um ano imensamente desafiador, nossa 10ª pesquisa Global Millennial e Gen Z revela duas gerações que acreditam que o mundo está em um ponto de inflexão em questões ambientais, desigualdade e racismo”, disse Michele Parmelee, Vice-CEO Global da Deloitte e Chefe de Pessoal e Oficial de Propósito, em uma declaração. “Eles estão focados em impulsionar a mudança social, mas não sentem que as instituições, como o governo e as empresas, estão fazendo jus ao seu potencial”.

A pesquisa global acompanhou tópicos relacionados à pandemia, incluindo seu efeito no comportamento, níveis de estresse e opiniões dos entrevistados, bem como a maneira que as duas gerações enxergam questões como meio ambiente, igualdade social e discriminação.

De acordo com o estudo, as duas gerações estão mais preocupadas com o posicionamento ético e o comprometimento socioambiental das empresas que trabalham e estão mais dispostas a negar oportunidades de trabalho e de consumo de empresas que não condizem com seus valores pessoais.

Embora sua saúde e situação de emprego sejam as principais preocupações, eles continuam profundamente preocupados com a mudança climática e o meio ambiente, de acordo com o relatório. Para as duas gerações a sociedade atingiu um ponto de inflexão sobre questões sociais e ambientais, no entanto, eles também estão canalizando suas energias para se responsabilizarem e responsabilizarem os outros pelos danos, segundo o relatório.

Mais de quatro em cada 10 Millennials e Gen Zs concordaram que já se atingiu o ponto sem volta no que diz respeito ao meio ambiente e que é tarde demais para reparar os danos. No entanto, a maioria expressou otimismo de que o compromisso das pessoas em tomar medidas pessoais para tratar de questões ambientais e climáticas será maior após a pandemia, segundo o relatório.

Reforçando este comportamento, mais de um quarto da Geração Y e da Geração Z disseram que o impacto de certas empresas no meio ambiente influenciou suas decisões de compra.

Inclusive, um pouco menos da metade dos Millennials e da Geração Z disse sentir que os negócios estão tendo um impacto positivo na sociedade. No entanto, suas visões sobre as ambições dos negócios estão começando a se estabilizar. Uma porcentagem um pouco menor dos entrevistados neste ano disse acreditar que as empresas estão focadas apenas em suas próprias agendas ou que não têm motivações além da lucratividade, disse o relatório.

“Isso pode indicar que eles veem o discurso dos líderes empresariais em torno do capitalismo das partes interessadas como sincero, mas ainda querem ver um impacto concreto que corresponda às promessas corporativas”, disse o relatório.

Além disso, esses dois grupos têm sérias preocupações e dúvidas sobre a escala de riqueza e igualdade de renda. Dois terços dos Millennials e Gen Zs disseram que veem a riqueza e a renda distribuídas de forma desigual na sociedade. A maioria acredita que a legislação e a intervenção governamental direta eliminariam significativamente a lacuna, de acordo com o relatório.

O estudo aponta ainda que 6 em cada 10 entrevistados da Geração Z e 56% da Geração Y veem o racismo sistêmico como muito ou bastante difundido na sociedade em geral. Pelo menos um em cada cinco disse que se sente pessoalmente discriminado “o tempo todo” ou “frequentemente” devido a um aspecto de suas origens. Mais da metade vê as gerações anteriores como um obstáculo ao progresso.

Saúde e trabalho

O relatório aponta que os Millennials e Gen Zs sofreram com o aumento de estresse durante a pandemia, sobrecarregados, inclusive, pelo aumento de incertezas provocados por ela. Mais de 41% dos Millennials e 46% dos Gen Zs disseram que se sentiam estressados ​​o tempo todo ou a maior parte do tempo. Cerca de dois terços de cada grupo concordaram (até certo ponto) que muitas vezes se preocupam ou ficam estressados ​​com sua situação financeira pessoal.

O bem-estar de suas famílias também foi a principal causa de estresse para a geração do milênio; a incerteza sobre empregos/perspectivas de carreira era a principal causa para a Geração Z.

No entanto, o próprio bem-estar e manutenção da saúde mental ainda é um estigma para os entrevistados, especialmente no trabalho.

Cerca de um terço de todos os entrevistados (Millennials 31%, Gen Zs 35%) disseram que faltaram ao trabalho devido ao estresse e ansiedade causados ​​pela pandemia. Entre os dois terços que não tiraram folga, quatro em cada dez se caracterizaram como estressados ​​o tempo todo, mas optaram por superar isso. Aproximadamente 40% dos Millennials e Gen Zs disseram que sentiram que seus empregadores fizeram um trabalho ruim no apoio ao seu bem-estar mental durante este período.

Tanto Millennials quanto Geração Z também acreditam que “flexibilidade/adaptabilidade” são essenciais para o sucesso dos negócios.

Fonte: CIO