Os maiores desafios enfrentados pelos CIOs atualmente

A maioria dos líderes de TI está buscando formas de equilibrar seu papel entre a liderança transformacional e as funções tradicionais dos CIOs. Na verdade, apesar do aumento da demanda por transformações digitais, 87% dos executivos afirmam que ainda estão atuando com tarefas operacionais de TI.

Problemas de segurança, discussões orçamentárias e resolução de dificuldades nos sistemas podem afastar os líderes de TI de projetos capazes de melhorar os negócios.

Por outro lado, os CIOs já estão encontrando maneiras de enfrentar os desafios. Confira os cinco principais problemas da atualidade e como os executivos estão lidando com cada um deles.

Segurança

Mais da metade dos CIOs aponta que grande parte de seu tempo é dedicada a gerenciamento de segurança. “É uma batalha constante e implacável”, diz Don Naglich, diretor de TI dos Ministérios Franciscanos. De acordo com as informações, Naglich gasta até 25% de seu dia avaliando a segurança dos sistemas para garantir que as informações da instituição estejam protegidas.

Hoje, as ameaças surgem dos lugares mais improváveis. “Encontramos os dispositivos de IoT de um fornecedor que eles usaram em nossas comunidades tentando entrar em contato com entidades estrangeiras”, diz Naglich. Dispositivos de sistemas de chamadas de emergência sem fio, que os pacientes da instituição podem acionar com botões estavam ameaçando a privacidade da entidade. “Nosso firewall estava bloqueando eles, mas os dispositivos estavam sendo muito insistentes. Eles estavam derrubando partes da rede sem fio”, acrescenta.

Para resolver o problema, todos os produtos de terceiros e dispositivos conectados à IoT nos Ministérios Franciscanos foram removidos dos servidores dos fornecedores e colocados em sua própria infraestrutura. O firewall agora bloqueia todo o tráfego proveniente de 120 países onde a organização não faz negócios. Naglich também passou de um software de antivírus baseado em assinatura, que normalmente identifica malwares conhecidos, para um antivírus baseado em comportamento, que avalia as ameaças a partir de ações pretendidas ou potenciais. “Você tem que prestar atenção em cada coisa”, diz Naglich, que agora está empenhado em incorporar a inteligência artificial na entidade.

Alinhamento de TI e negócios

Metade dos CIOs afirma que a maior parte do seu trabalho é dedicado ao alinhamento de iniciativas de TI com as metas dos negócios.

Na Case Western Reserve University, em Cleveland, Sue Workman está constantemente trabalhando para otimizar as tecnologias visando ajudar no ensino dos alunos e na melhoria do desempenho da universidade. “Uma das maiores coisas para os CIOs, especialmente no mundo universitário de pesquisa, é que você faz parte de tudo o que acontece”, diz Workman.

Entre os principais projetos da executiva, aplicando tecnologia de ponta em um novo campus de saúde, está uma parceria com a Cleveland Clinic, que integrará as escolas de medicina, enfermagem, odontologia. A partir deste ano, as aulas de anatomia no novo campus serão ministradas usando hologramas, em substituição da maioria dos cadáveres utilizados para o aprendizado.

A universidade é o primeiro parceiro em educação da Microsoft a incorporar seus headsets HoloLens. “Tivemos que aprender como podemos fornecer redes sem fio para uma sala com, possivelmente, 100 headsets com holograma. Leva tempo para aprender a usá-los também. Mas nós trabalhamos com tudo isso agora”, afirma Workman.

Os alunos também exigem tecnologias recentes. Por isso, Sue Workman precisa se manter à frente das tendências para manter a universidade competitiva aos futuros estudantes.

“A oitava série hoje tem Alexa e Siri. Tudo o que eles precisam fazer é fazer uma pergunta. Então, estamos começando a trabalhar em alguns protótipos, como um chatbot que permitirá que os alunos façam perguntas verbais como ‘Onde está o ônibus?’ ou ‘Quais restaurantes aceitam meu vale-refeição?’.”

“O CIO de hoje é um inovador em tecnologia e não necessariamente um técnico”, explica Workman. “Eu realmente acho que as organizações de TI da universidade precisam ser muito mais ágeis e inovadoras. Sim, ainda temos que fazer o ERP e o LMS, mas também ter algum recurso para realmente se divertir e experimentar.”

Melhoria de sistemas e controle de orçamento

49% dos CIOS afirmam que estão focados na melhoria de desempenho dos sistemas e 37% gastam parte do seu tempo controlando o orçamento. O American International College, em Springfield, Massachusetts, tem lutado contra orçamentos menores de TI nos últimos dois anos. “Somos muito disciplinados financeiramente, então eu preciso tomar decisões de tecnologia pelos motivos certos e ter um bom ROI”, diz a CIO Mimi Royston.

Para extrair o máximo de seus sistemas, o departamento de TI está realizando uma revisão de processos nos 41 principais softwares utilizados. O objetivo é avaliar como a automação pode ser melhorada e integrar o fluxo de dados entre os diferentes sistemas para operar de forma otimizada.

“Isso ajudou muito com as melhorias nos processos de negócios, no que diz respeito ao fluxo de dados, comunicação e processos de trabalho que muitas vezes ficam parados em algum lugar. Agora podemos automatizar esse fluxo de dados”, afirma Royston.

Neste ano, a universidade implementará seis novos pacotes de software que exigem integração com pelo menos um sistema. “Estamos sempre administrando o crescimento através da austeridade”, declara a CIO. “Para isso, você precisa tomar boas decisões e precisa de fluxo de dados para tomar essas boas decisões.”

Implementação de novos sistemas

Um terço dos CIOs passa a maior parte do tempo implementando novos sistemas de suporte para os negócios.

Os dados são a força vital da Emerald Expositions Events, que opera mais de 55 feiras de negócios nos Estados Unidos com cerca de 500 mil participantes e expositores. “Vivemos e respiramos os dados que temos sobre nossos clientes e mostramos presença”, diz o CIO Bill Charles.

Charles passou a maior parte do tempo implementando uma solução de nuvem para ajudar no gerenciamento de dados entre sistemas e o Tableau para facilitar o acesso dos colaboradores aos dados sem a ajuda da TI. “Queremos capacitá-los para executar seus próprios relatórios, dar-lhes dados e usá-los para orientar decisões”, diz o executivo.

Para Charles, o maior desafio é manter os conjuntos de habilidades internos necessários para suportar toda a tecnologia nova e de rápida mudança. “Nós terceirizamos todo o desenvolvimento para fornecedores terceirizados e a maior parte do suporte é feito internamente” por uma equipe de TI de 15 pessoas, explica o executivo. Mas com uma lista crescente de novos parceiros fornecedores, é difícil manter a equipe atualizada. “Essa transferência de conhecimento para a equipe de suporte é difícil de fazer acontecer.”

Ainda assim, Charles não acha que seus desafios são exclusivos. “Eu acho que nós [CIOs] estamos todos no mesmo barco – sempre com falta de recursos, falta de pessoal e muitos projetos. Mas com as novas ferramentas de dados, junto com a Salesforce, estamos fazendo um trabalho muito melhor no fechamento de vendas” comemora.

Mudanças e Inovação

Na linha de frente das transformações digitais, os CIOs estão desempenhando papel significativo para que os negócios sejam impulsionados. Cerca de 88% dos líderes de TI entendem que a função do CIO tem se tornado mais focado em inovação e digitalização, quando há tempo para isso, claro.

Um terço dos CIOs diz que estão ativamente envolvidos na liderança dos esforços de transformação. O CIO Sherif Mityas, da TGI Fridays, é um deles. Há dois anos, Mityas começou a repensar a TI na cadeia de restaurantes “para estar onde nossos hóspedes estão e se envolver e se conectar com eles através do uso da tecnologia.”

Pensando nisso, o CIO criou uma plataforma digital onde o cliente pode interagir com a cadeia externa de restaurantes, através de mídias sociais e chatbots, e dentro com tablets e serviços de TV personalizados. O executivo utilizada tecnologias de fornecedores exclusivos, como Amperity, Conversable e Urban Airship. O movimento rapidamente melhorou o ROI, com pedidos feitos fora do local duplicados no primeiro ano.

Hoje, Mityas está aperfeiçoando as ferramentas incorporadas com inteligência artificial. “Agora que estou conectado por meio de um chatbot ou plataforma digital, é possível entender quem é essa pessoa e criar uma conexão mais direta e personalizada”, declara o CIO. “Podemos realmente criar e nos envolver em uma base individual e fazê-lo em escala com o uso da IA.”

Dentro dos restaurantes, a IA atua como uma espécie de assistente digital para gerentes em smartphones ou iPads. “A ferramenta de IA aprende como essa loja individual deve funcionar com base em seus padrões de tráfego e equipe. Eles ajudam o gerente a tomar decisões sobre inventário, pedidos e agendamento de mão de obra. Isso permite que eles tomem decisões melhores, mais inteligentes e mais rápidas – e tenham mais tempo para se concentrar em seus convidados.” A startup HyperGiant potencializa alguns desses esforços de IA nos restaurantes.

Mityas encontra essas ideias de aplicação de tecnologias emergentes criando competições trimestrais, onde cinco a seis startups fazem apresentações de 20 minutos. “É aí que temos algumas das nossas melhores ideias. Eles também nos permitem fazer algo que ninguém mais está fazendo, pelo menos por um curto período de tempo.”

Apesar de ser fácil se envolver com tecnologias interessantes, Mityas sempre avalia o ROI em potencial. “É bom para o nosso convidado? Podemos executar isso? Podemos ganhar dinheiro com isso? Se ‘sim’ não é a resposta para todas as três perguntas, então não é certo para a empresa ”, alerta.

Para o especialista, quando se pensa em utilizar inteligência artificial as empresas devem começar pensando pequeno. “Essas coisas podem ficar complexas e caras muito rapidamente, então escolha um pequeno caso de uso que você sabe que pode dar conta e comece por aí.”

Fonte: Portal CIO - clique aqui e acesse.