Machine Learning aplicado ao planejamento estratégico

Saímos da era dos sistemas que fazem, evoluindo para os sistemas que pensam e embarcamos na realidade dos sistemas empresariais que aprendem. É irresistível para os entusiastas do Planejamento Empresarial não tentarem imaginar a aplicação de algoritmos tão poderosos e promissores a uma ciência tão ampla e complexa. Chegamos a tal estado de maturidade?

Do que estamos falando

Para uma simplificação didática, o Machine Learning (Aprendizado de Máquina) é um ramo do vasto domínio da Inteligência Artificial, que engloba as tecnologias sensoriais para interpretação de textos, vozes, imagens e o impactante mundo da robótica. O ML pode ser considerado o cérebro deste organismo que processa o que se absorve do mundo externo, e o mais impressionante, com muito pouco código fixo, realizando o “aprendizado” dinamicamente.

Há diversas vertentes dentro do ML e cada qual com seus algoritmos específicos, dentre os quais eu destaco neste artigo o Reinforcement Learning, algo como Aprendizagem Reforçada na tradução livre. Recentemente este algoritmo foi utilizado para criar um jogador virtual de xadrez diferenciado. Até então, os “engines” que se propunham a isso utilizavam extensas tabelas com as partidas e teorias para as diversas posições, enfrentando o maior desafio que é o número de combinações possíveis, algo como mais que o número de átomos do Universo.

Aprendendo a jogar Xadrez

Nesse algoritmo de ML foram apenas programadas as regras do jogo e utilizado o algoritmo de atribuir recompensas ou punições para cada experiência boa ou má, a que fora submetido. Alguma semelhança com nosso processo de aprendizado? O algoritmo jogou incontáveis partidas com o melhor “engine” do mercado por 4h, com ajuda de um supercomputador. Depois, mais 9h jogando com ele mesmo até atingir o “rating” nunca alcançado por um humano.

É possível jogar com o programa, que continua evoluindo a cada partida. O que seguiu foi algo por demais exótico. A comunidade dos Grandes Mestre em Xadrez começou a tentar desvendar qual foi o estilo resultante deste aprendizado e as conclusões foram intrigantes, e com isso, podemos arriscar algumas comparações com o enorme tabuleiro da Dinâmica Empresarial:

Restrição do oponente – Ficou patente uma iniciativa de cercar o oponente de peças, congestionando o tabuleiro para restringir as opções. Tática semelhante é utilizada em alguns esportes como o futebol. Muitas vezes concentramos energia em mudar e transformar o modelo de negócio, mas nos esquecemos de “matar” o concorrente por inanição.
Ativação como prioridade – Todo bom jogador de xadrez sabe o valor de desenvolver as peças na abertura, mas quando surge uma oportunidade de vitória rápida, as ações se concentram nas peças imediatamente envolvidas. Ao contrário, o algoritmo chegou a interromper o ataque para melhor reposicionar todas as demais peças. Grande lição! Visão de longo prazo é o outro nome da Estratégia. Quando ignoramos esta verdade, o pragmático mercado financeiro recua pela pouca capacidade de geração valor agregado no futuro.
Sacrifício de peças – Sacrifício de peça no xadrez, em geral, é compensado por um ganho posicional ou material não muito distantes. O algoritmo chegou a sacrificar material simplesmente para abrir espaço em um flanco do tabuleiro e melhor posicionar as peças mais bem preparadas. Quantas vezes descartamos ativos valiosos sem antes considerarmos a possibilidade de reposicionamento, de produtos, serviços e funções? Ao contrário, quantas vezes deixamos processos infrutíferos bloquearem ideias inovadoras?
Jogo Psicológico – O mais surpreendente! Alguns Grandes Mestres, ao jogarem com o computador fazem movimentos estranhos para “confundir” o algoritmo, tirando-o da lógica convencional daquela posição. Este recurso foi utilizado pelo algoritmo e medido pelo movimento inócuo do oponente no lance seguinte, do tipo, “ele está se perdendo”. Contar com este desequilíbrio do concorrente parece óbvio, mas convenhamos, quantas vezes de fato consideramos este recurso no Plano Estratégico?

Conclusão

São tabuleiros diferentes, as regras do xadrez são fixas e as do mercado são móveis e nem sempre lógicas. A despeito de todas as diferenças, eu não tenho dúvida que as soluções empresariais mais promissoras neste campo, serão os algoritmos que “observarão” todos os pequenos movimentos, ao longo de um certo tempo, com ajuda de redes neurais, produzindo grande parte do Planejamento Estratégico pelo simples fato de nunca dormir e nunca resistir às mudanças. Aguardamos para aprender!

Artigo escrito por: Luiz Menegocci – Business Strategy Leader for APPs – Oracle

Fonte: Blog Oracle

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